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A Agência Nacional de Mineração (ANM) concedeu autorização para a realização de pesquisas minerais em uma área de 6.604 hectares localizada entre os municípios de Reserva do Cabaçal e Salto do Céu, na região oeste de Mato Grosso. O alvará terá validade de três anos e tem como objetivo verificar a existência de jazidas de ouro com potencial econômico.
A autorização permite apenas a execução de levantamentos geológicos, análises do solo e demais estudos técnicos necessários para identificar a presença do minério. A medida, no entanto, não autoriza a exploração comercial de ouro.
Caso as pesquisas confirmem a viabilidade econômica da área, o responsável pelo projeto deverá solicitar uma concessão de lavra junto à ANM e obter todas as licenças ambientais exigidas pela legislação antes do início de qualquer atividade de mineração.
O próprio alvará destaca que a autorização para pesquisa mineral não substitui as permissões e autorizações dos órgãos ambientais competentes, que continuam sendo obrigatórias para o desenvolvimento de futuras operações.
A área autorizada para pesquisa está localizada no Vale do Cabaçal, região considerada estratégica para a preservação ambiental por abrigar importantes nascentes que contribuem para a bacia do Alto Paraguai, responsável por alimentar o Pantanal.
Os municípios de Reserva do Cabaçal e Salto do Céu integram o Complexo Nascentes do Pantanal, iniciativa voltada à conservação dos recursos hídricos e à recuperação de áreas degradadas da bacia do Rio Cabaçal, por meio de ações desenvolvidas em parceria com instituições de pesquisa e entidades ambientais.
Além da relevância ecológica, a economia local é sustentada principalmente pela pecuária leiteira e pelo turismo de natureza, atividades que dependem diretamente da preservação dos recursos naturais.
A autorização faz parte do avanço das pesquisas minerais registrado em Mato Grosso nos últimos anos. Recentemente, outras áreas do oeste do estado também receberam permissões para estudos voltados à identificação de jazidas de ouro e outros minerais.
Dados da Operação Amazônia Nativa (OPAN) apontam que o número de processos minerários no estado passou de 5.926 em 2018 para 13.627 em 2025, representando um crescimento de aproximadamente 130%. Atualmente, os processos de pesquisa e exploração mineral abrangem cerca de um quarto do território mato-grossense, tendo o ouro como principal alvo das investigações geológicas.
A expansão da atividade minerária, especialmente na faixa de fronteira com a Bolívia, vem sendo acompanhada por órgãos ambientais e de fiscalização devido aos impactos potenciais sobre áreas de preservação e recursos hídricos.